quarta-feira, 4 de julho de 2012

O conhecimento pelas causas


Aristóteles define a ciência como conhecimento verdadeiro, conhecimento pelas causas, por meio do qual é possível superar os enganos as opinião e compreender a natureza da mudança, do movimento. Para tanto, recusa a teoria das ideias de Platão e sua interpretação radical sobre a oposição entre mundo sensível e mundo inteligível.
Para entender a teoria aristotélica, vamos escrever três distinções fundamentais realizadas pelo filósofo: substância-essência-acidente; ato-potência; forma-matéria. Esses conceitos, por sua vez, servem para compreender a teoria das quatro causas.
Substância: essência e acidente:
Costuma-se dizer que Aristóteles “traz ideias do céu a terra” porque, para rejeitar a teoria das ideias de Platão, reuniu o mundo sensível e o inteligível no conceito de substância: cada ser que existe é uma substância.
A substância é “aquilo que é em si mesmo”, o suporte dos atributos. Esses atributos podem ser essenciais ou acidentais:
      ·         A essência é o atributo que convém à substância de tal modo que, se lhe faltasse, a substância não seria o que é.
      ·         O acidente é o atributo que a substância pode ter ou não, sem deixar de ser o que é.
Por exemplo: a substância individual “esta pessoa” tem como características essenciais os atributos da humanidade (Aristóteles diria que a racionalidade é a essência do ser humano). Os acidentais são, entre outros, ser gordo, velho ou belo, atributos que não mudam o ser humano na sua essência.
Matéria e forma:
Além dos conceitos de essência e acidente, Aristóteles recorre às noções de matéria e forma. Todo ser é constituído de matéria e forma, princípios indissociáveis.
      ·         Matéria é o principio indeterminado de que o mundo físico é composto, é “aquilo de que é feito algo”. Trata-se da matéria indeterminada. Quando nos referimos à matéria concreta, trata-se de matéria segunda.
      ·        Forma é “aquilo que faz com que uma coisa seja o que é”. Nesse sentido, a forma é geral (o que faz com que todo animal ou vegetal sejam o que são).
A forma é o principio inteligível, a essência comum aos indivíduos da mesma espécie pela qual todos são o que são, enquanto a matéria é pura passividade e contém a forma em potência.
O movimento (devir) é explicado por meio das noções de substância e acidente, de matéria e forma. Para Aristóteles, todo ser tende a tornar atual a forma que tem em si como potência. Por exemplo, a semente, quando enterrada, tende a se desenvolver e a se transformar no carvalho que é em potência.
Potência e ato:
Ao explicitar os conceitos de matéria e forma, é necessário recorrer aos de potência e ato, que explicam como dois seres diferentes podem entrar em relação, atuando um sobre o outro. Então:
      ·         A potência é a capacidade de tornar-se alguma coisa, é aquilo que uma coisa poderá vir a ser. Para se atualizar todo ser precisa sofrer a ação de outro já em ato.
      ·         O ato é a essência (a forma) da coisa tal como é aqui e agora.
Não se trata de uma atualização de uma vez por todas, porque cada ser continua em movimento, recebendo novas formas: os seres vivos nascem e morrem, o feto se transforma em criança e, na sequência, em adolescente, jovem, idoso, e assim por diante.
Recapitulando os conceitos aristotélicos: todo ser é uma substância constituída de matéria e forma; a matéria é potência, o que tende a ser; a forma é o ato. O movimento é, portanto, a forma atualizando a matéria, é a passagem da potência ao ato, do possível ao real.

17 comentários:

  1. nunca vou entender filosofia ate q alguem me explique alguma coisa sensata q me convença oq e estudar filosofia...

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    1. eu tambem nao entendo nada de nada. Meu professor mesmo, ele acha que nós alunos do terceiro ano somos filósofos que nem ele.

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    2. eu tambem nao entendo nada de nada. Meu professor mesmo, ele acha que nós alunos do terceiro ano somos filósofos que nem ele.

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    3. To na graduaçao vendo filosofia de novo e continuo sem entender nada.
      Parece que ta tdo em grego. Vou acabar repetindo a materia(de novo).

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    4. somos filósofos senhor João Victor, apenas precisamos compreender a filosofia para que possamos entender melhor e aplicar, assim como Platão compreendeu que o mundo das idéias não estava entre os homens mas sim neles mesmos, podemos perceber que a filosofia é apenas argumentação entre pessoas e muita atenção mas muita atenção mesmo, pois fazer a maieutica (diálago) também devemos prestar muita atenção, pois podemos nos confundir com nossas próprias idéias.

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    5. somos filósofos senhor João Victor, apenas precisamos compreender a filosofia para que possamos entender melhor e aplicar, assim como Platão compreendeu que o mundo das idéias não estava entre os homens mas sim neles mesmos, podemos perceber que a filosofia é apenas argumentação entre pessoas e muita atenção mas muita atenção mesmo, pois fazer a maieutica (diálago) também devemos prestar muita atenção, pois podemos nos confundir com nossas próprias idéias.

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  2. numa prova sobre esse assunto tirei 3, noutra 4 e noutra 3....bombei bonito... continuo sem entender nada...

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  3. muito bom e bem colocado me ajudou muito obrigado !!!!!!

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  4. É a mesma coisa que tem no livro tem aqui, mais valeu!!!!!!

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  5. A Filosofia é a arte de pensar com sabedoria.
    Um sujeito que viveu a 2500 anos atrás conseguiu pensar, racionalizar aquilo que algumas mentes em pleno século XXI se quer conseguem entender! Vai comer grama! Burrice é a essência de algumas pessoas, enquanto outros a tem como acidente o que pode sofrer Mudança.

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  6. A filosofia é considerada uma das artes mias belas, pois como o Senhor Ademir falou a Filosia é a arte de pensar.
    Mas isso não quer dizer que aqueles que não pensam como os filósofos não quer dizer que sejam burros, pois naquela época os filósofos geralmente eram pessoas de classes altas e média, "Burrice" na filosofia significa:É clássico entre nós, filósofos, lembrar de Adorno e Horkheimer dizendo que “a burrice é uma cicatriz”. Ou seja, é algo que marca uma superfície de uma maneira que sempre nos conduz para o mesmo lugar. Mas não quer dizer que o burro é aquele que não sabe, pois na verdade o Burro mesmo é aquele que pensa ser mais inteligente que o outro.

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  7. Esses conceitos são entendidos de maneira mais clara quando se estuda programação orientada ao objeto. Daí vemos não só essas idéias mais claras como a sua aplicação prática.

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